Perceber do latim percipere – conhecer por meio dos sentidos.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Minha árvore

Faz um maio gelado e a arvore morre, acho que é o ultimo outono dela e ainda não sei como lidar com isso. Toda vez que lembro sinto vontade de chorar. Não poderei mais dizer que minha casa é a azul com uma arvore alta na frente. Alta, linda e cheia. Às vezes verde ou as vezes amarela. Não abrigará mais seus animais, não fará mais sombra, não será mais meu cenário verde ou amarelo ou verde dourado do fim das tardes que me alegra ou até mesmo o verde cinza das noites que me consola. Ela vai se tornar uma lembrança. Suas ventanias, suas loucuras, devia ser rebeldia. Caiu um tronco e cortou a luz na ultima ventania. E eu quero abraçá-la, sabe, nunca abracei, nem sei mais se está viva, mas está de pé. Tá lá. Cheia de si, mas já perde seu brilho. Já está com bem poucas folhas, como costume de outono, mas acho que dessa vez novas não nascerão. Aqui tenho vontade de chorar mais uma vez. Não sei porque, mas sinto algo por essa arvore, talvez um companheirismo. Talvez mesmo por ela ter estado ali, ao lado, da vista da minha cama por tantas e tantas noites e dias, enquanto eu ria ou chorava, compartilhava memorias e sonhos com ela. Ela fazia como se me carregava pra esse mundo onde lembranças e sonhos se confundem, onde você se perde no que realmente aconteceu e no que a gente gostaria que tivesse realmente acontecido. E nesse embalo às vezes eu dormia, ou às vezes continuava olhando pra ela, atrás dela o céu, às vezes a lua, às vezes o sol, às vezes a chuva. Quando a chuva vinha era melhor ainda, pois o barulho das gotas na copa da árvore eram como que um calmante pra mim, era como um background da minha vida, dos meus pensamentos, sonhos e memórias. Acho que todo mundo tem esse background, esse fundo, esse segundo plano, até mais de um. Eu tenho alguns, mas esse era um dos meus preferidos, e ele está de partida. Junto desse óbito, minha janela muda de lugar, mudo de cômodo. Parece coisa de destino, que não quer deixar que eu veja quando ela for levada, quando tirarem esse corpo dali. Mas eu ainda estou cá assistindo, mesmo enquanto escrevo, essa morte lenta e apesar de tudo, linda, já que ela nunca deixou de ser bela, minha árvore. Estou sem maquina pra fotografar os últimos dias dela aqui, isso me dói. Vou sentir grande falta dela  todos os dias do resto dos dias enquanto eu morar aqui e talvez além. Ainda bem que minha janela não será mais essa, assim não sentirei falta dela 24h ao dia, mas apenas quando eu entrar ou sair de casa. Exatamente por essa ida, penso em futuramente ter meu próprio terreno com grande área verde pra plantar minhas bonitas de várias cores. Outra coisa que me consola é minha universidade, que tem diversas irmãs desta, onde cada dia descubro cantos melhores pra ler embaixo de tuas copas. Elas me confortam. Assim crio um novo background, mas esse nunca será esquecido, sem dúvida alguma. Desejo que em seus últimos dias ela veja suas luas bem lindas e cheias, ou daquelas luas que sorriem pra gente. E assim também sóis calmos e amenos, ventos suaves pra acariciar tuas folhas e uma última chuva pra te refrescar em paz.